Profundo Vazio

01/04/2011

O lápis parado não mais escreve,
no papel branco que o aguarda.
O texto que antes surgia breve,
nada mais é do que estrofe vaga.

Aquela bela nota se tornou vazia,
na música tênue que ao fundo toca.
Parece que,  de infinda teimosia,
em meus ouvidos o som desemboca.

O azul do céu já foi desbotado,
frente a tanta fumaça humana.
Saudades do meu  lamento melado,
a envolver minha bela dama.

Marcello G. M. Filho

Insanity

12/29/2010

A mente insana um turpor insere
ao corpo frágil que se reclina.
Tudo o que a consciência lhe destina
a voraz loucura digere.

Devaneios, anseios e fantasia
afetam a sua comum apatia.
Resta-lhe um grito indigesto,
um ávido e intenso protesto.

Mas eis que tudo se esquece,
a memória outra vez se apaga.
Em meio a imagens e sons enlouquece
e, imaginário, um amigo te afaga.

Marcello G.M. Filho

https://denihilonihilum.wordpress.com

A vida se transforma em cores,
as cores te inebriam.

Amores, suspiros, rancores,
cheiros e gostos te extasiam
As canetas descrevem as flores.
As aves no papel piam.
O mundo já não tem mais dores,
se as poesias o recriam.

Se se escreve um poema, um só que seja,
em versos tua alma lampeja.

Marcello G.M. Filho

https://denihilonihilum.wordpress.com